Minhas Impressões: Metropolis (1927)


- sexta-feira, 17 de maio de 2013
* Alerta de Spoiler: Este post discute livremente elementos de toda a trama do filme. Aqueles que não viram o filme e querem o ver antes, são encorajados a regressar depois de tê-lo visto. *



Após muito tempo sem escrever nada, hoje vou falar um pouco sobre este filme que assisti recentemente, Metropolis, de 1927.



De todos os grandes filmes mudos, poucos abordam o que o clássico filme futurista alemão propôs. Sua influência, principalmente no design visual extraordinário do diretor Fritz Lang, foi monumental. Mais de 80 anos depois de seu lançamento, Metropolis permanece sendo a obra-prima da ficção científica.




Disperso, operístico e surreal, repleto de alegorias cristãs e imagens bíblicas medievais, o filme colonizou um novo reino da imaginação. As paisagens futuristas que são um marco da ficção científica com seus arranha-céus absurdamente enormes e veículos voadores caracterizam um dos pontos altos do expressionismo alemão.
Metropolis, em uma visão impressionante e contrastante, mostra o conflito de classes para uma resolução diametralmente oposta, com base em imagens religiosas e inspiração na defesa de uma reconciliação não-violenta entre as classes.


O enredo de sonho, que se baseia no emocional e no poético ao invés de conexões lógicas, envolve um jovem herói chamado Freder (Gustav Fröhlich), cujo pai ditatorial, Joh, (Alfred Abel) é o "senhor" de Metropolis, uma jovem idealista chamada Maria (Brigitte Helm), que tenta oferecer esperança aos trabalhadores oprimidos, e um cientista sinistro chamado Rotwang (Rudolf Klein-Rogge), a quem o pai de Freder pede para subverter os esforços de Maria através da construção de um robô.


Mais importante do que a história são as imagens inesquecíveis: as colunas intermináveis de trabalhadores marchando em sincronia para o seu terrível trabalho, a monstruosa máquina "M", que revelou em um momento visionário que seria a encarnação do espírito de Moloch, o deus sanguinário de Canaã no Velho Testamento; Freder dolorosamente trabalhando na máquina-relógio como Cristo crucificado; a dança lasciva do robô-Maria seduzindo a população de Metropolis para os Sete Pecados Capitais, a imensa catedral gótica em que o confronto final ocorre.

Alusões religiosas estão por toda parte. Maria sugere a Virgem Maria e o robô-Maria seria a prostituta da Babilônia. Freder, o filho, é um agente de reconciliação como Jesus Cristo, enquanto o pai Joh é um Jeová autodenominado tomando o lugar de Deus em seu próprio mundo, e desencadeando um dilúvio para destruir o seu povo quando eles o desagradou. Os escritórios de Joh estão em um arranha-céu chamado "Nova Torre de Babel", e o conflito é repleto de referências ao Apocalipse.


Algumas dessas referências religiosas estavam entre os elementos cortados e censurados da história triste e complicada do filme, que permanece até hoje fragmentada e incompleta, apesar dos melhores esforços dos restauradores.

O que é fascinante sobre Metropolis ainda não é o roteiro da roteirista Thea von Harbou (esposa de Lang), mas é a sua tendência de definir inovações técnicas. Situada no ano de 2000, a história em si é uma síntese frágil do cristianismo, o marxismo e Freud. Mas o resultado foi surpreendente para a época. Sem todos os truques digitais de hoje, "Metropolis" preenche a imaginação. Os efeitos dos filmes modernos são tão bem feitos que parece que estamos olhando para coisas reais, o que não é bem o mesmo tipo de diversão que temos quando assistimos a filmes antigos como Metropolis.


Embora Lang viu seu filme como anti-autoritário, os nazistas gostaram o suficiente para oferecer-lhe o controle da sua indústria cinematográfica alemã. O que Lang fez? Fugiu para os Estados Unidos.

"Metropolis" faz o que grandes filmes fazem, criou um tempo, um lugar e personagens tão surpreendentes que eles se tornam parte do nosso arsenal de imagens para imaginar o mundo. Lang filmou por quase um ano, impulsionado pela obsessão, muitas vezes cruel para os seus colegas de trabalho, como um louco perfeccionista, e o resultado é um filme atemporal para ser totalmente apreciado.


Imagens da Edição Especial Restaurada e Remasterizada:








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.:: Andhora Silveira ::.

É graduanda em Ciência da Computação. Ama ficção científica,
histórias em quadrinhos, heavy metal, livros, física, astronomia e tecnologia.
É uma leitora exigente e gosta muito de escrever. Vida longa e próspera.

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1 comentário:

Bob Mota comentou:

Concordo totalmente com tudo dito na postagem. Excelente texto (como sempre). Metrópolis é um marco para o cinema e para a ficção-científica, este filme definiu elementos que são utilizados até hoje neste gênero. Incrível, vale o investimento.

:)) ;)) ;;) :D ;) :p :(( :) :( :X =(( :-o :-/ :-* :| 8-} :)] ~x( :-t b-( :-L x( =))

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