Wonder Woman #4 - New 52


- quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Wonder Woman é uma personagem que sempre esteve ligada aos deuses gregos, mas nesse reboot da DC Comics e sob os cuidados de Brian Azzarello e Cliff Chiang essa conexão com a mitologia grega vem se tornando muito forte. Que emocionante é ver essa representação particular de vários deuses, tão cuidadosa e tão fiel aos mitos.

Na Wonder Woman # 4, a protagonista está lidando com as consequências da revelação de que ela é filha de Zeus. Para ela foi um grande choque e uma descoberta um tanto desagradável. A Mulher-Maravilha e sua mãe Hipólita lidam com essa revelação de diferentes maneiras: A Mulher-Maravilha vai para um pub londrino e Hipólita prepara-se para o confronto inevitável com Hera.

A idéia da Mulher Maravilha em um bar londrino, curtindo um rock pesado pode soar estranho, mas eu entendi o que o Azzarello quis dizer com isso. Zola começa a se estabelecer como personagem também, não fazendo dela apenas a "mãe do próximo filho de Zeus".

De volta ao seu apartamento, Diana fala a Zola como ela sempre se sentiu diferente de todos, pensando que tinha sido moldada com argila. Afirma que é por isso que ela deixou a ilha para recomeçar. Zola fala sobre seu passado, dizendo que seu pai está na prisão desde que ela era um bebê e que sua mãe morreu. Ela afirma que sua casa, família, é apenas uma palavra e que provavelmente está melhor sem essa ideia. Suas palavras inspiram Diana a dar a sua mãe outra chance. Porém, quando ela retorna à Ilha Paraíso, vê que Hera já se vingou de Hipólita.

A aparição dos deuses do Olimpo só faz crescer a cada nova edição. Nesse novo número o destaque vai para Ares. Ares está representado de uma maneira muito diferente da que estamos acostumados, tanto em aparência, como em personalidade. Mais uma vez, porém, Azzarello e Chiang estão pensado isso de uma forma inteligente. É difícil manter-se um tremendo senso real de perigo enquanto você lê suas cenas. Ele pode não ser o vilão (pelo menos nesse número, ou arco de história), mas sua presença invencível escoa pela página. Vemos Ares, o deus da guerra, utilizando os seus poderes, impactando os seres humanos ao seu redor, estimulando a violência em Darfur.

Apolo viaja a Darfur, onde seu irmão Ares passou a residir (o que faz sentido). Apolo revela que Zeus desapareceu e que outro deus deve subir ao trono. Ares diz que ele não está interessado. Os deuses são conhecidos por sua duplicidade, de modo que Ares com certeza deve ter algum truque na manga.

A arte de Chiang é linda, como sempre. Cada cena esbanja emoção, graças ao talento de Chiang, que dá vida às ideias de Azzarello. Chiang é um artista incrível, e estou muito satisfeita e impressionada com o trabalho que ele está fazendo.

Em essência, Azzarello escreve os personagens dos deuses gregos utilizando representações que remetem à mitologia grega antiga. Os deuses não eram gentis com os outros ou com a humanidade. Eles eram personagens imortais em uma novela teológica. Nas histórias da mitologia grega clássica, os deuses gregos eram retratados como seres passíveis a falha e emocionalmente imaturos, que descontavam suas raivas e saciavam seus desejos nos seres humanos. Azzarello voltou às origens, tornando seus deuses gregos tais quais eles eram na mitologia grega.

Esta é uma história em quadrinhos que canaliza o potencial de um super-herói que vive no mundo da mitologia grega. Afinal, a mitologia grega também possui histórias de super-heróis (com panteões, superpotências, talentos fantásticos, semideuses), e faz sentido combinar os dois gêneros. Se você gosta de super-heróis e mitologia grega, "Mulher-Maravilha" é uma história em quadrinhos que você provavelmente vai amar. Esta história só melhora a cada mês que passa, e mal posso esperar pelo próximo número.


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.:: Andhora Silveira ::.

É graduanda em Ciência da Computação. Ama ficção científica,
histórias em quadrinhos, heavy metal, livros, física, astronomia e tecnologia.
É uma leitora exigente e gosta muito de escrever. Vida longa e próspera.

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1 comentário:

Bob Mota comentou:

A Mulher Maravilha está tendo o tratamento que merece! Não canso de repetir isso. O Azzarello está fazendo transbordar a mitologia grega na revista. E eu acho que as histórias da Mulher Maravilha deveriam ter sido sempre assim. Uma heroína que evidenciasse suas raízes gregas, histórias mais místicas, adultas e cruéis. Enfim, com tudo o que a mitologia grega tem. É exatamente isso que está acontecendo e isso me deixa muito feliz e empolgado. Virei fã dela e com certeza esse arco já entrou para a história da personagem. Espero que a dupla Azzarello e Chiang permaneça por um bom tempo na publicação!
Concordo com tudo o que você disse a respeito dessa edição e parabéns por manter seu blog atualizado acompanhando todas as edições da Mulher Maravilha de acordo com o que vai sendo publicado lá fora.

:)) ;)) ;;) :D ;) :p :(( :) :( :X =(( :-o :-/ :-* :| 8-} :)] ~x( :-t b-( :-L x( =))

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