Minhas impressões: Inception - A Origem (2010)


- segunda-feira, 15 de agosto de 2011
* Alerta de Spoiler: Este post discute livremente elementos de toda a trama do filme. Aqueles que não viram o filme e querem o ver antes, são encorajados a regressar depois de tê-lo visto. *


"A verdadeira inspiração é impossível de se falsificar".

Se for isso mesmo, então Inception é um dos filmes mais verdadeiros que já tive oportunidade de assistir. Christopher Nolan elaborou um filme brilhante, tanto narrativamente como tematicamente.

Você poderia inferir que falo isso pelo fato de ser uma garota com profundas tendências para a ficção científica e você pode até pensar que eu estaria predisposta a gostar deste filme de qualquer maneira. Mas não é só isso.

Nolan faz com que o seu público assuma um conjunto de regras, exceções locais e habilidades a fim de compreender o texto do filme, e sobretudo o seu "subtexto" fascinante. Essa obra magna exige concentração intensa, levantando ideias complexas, e envolvendo tudo o que um filme de ação tem de melhor.

A relação entre filmes e sonhos sempre foi, usando um termo da psicanálise, sobredeterminado. Desde os seu primeiros lampejos na época, Freud trabalhava na sua obra "A Interpretação dos Sonhos" e acreditava que os sonhos são compostos de "matéria primordial" do inconsciente e de eventos prosaicos da vida cotidiana. Se ele estivesse escrevendo agora, ele teria que reconhecer que os sonhos também são, para muitos de nós, feitos de filmes. E filmes, na maioria das vezes, são feitos de outros filmes, são inspirados em outros filmes.

"Inception" é visualmente interessante, tão repleto de alusões e citações como um documento de estudos ou artigos acadêmicos. Admiradores de "Blade Runner", de Ridley Scott e "2001: Uma Odisseia no Espaço", de Stanley Kubrick, vão encontrar em Inception seu lar (pelo menos eu senti isso).

Inception é como um devaneio, algo a ser refletido. O que significa dizer que o tempo, quase duas horas e meia de filme , passa rapidamente de tão agradável que é, e você vê algumas coisas que são bastante surpreendentes e espetacularmente bonitas: as cidades dobrando-se sobre si mesmas, os mapas tridimensionais, perseguições e lutas que desafiam as leis que regem o espaço, tempo e movimento.

É muito difícil de explicar o enredo do filme em sua profundidade. Primeiro porque essa deve ser uma tarefa individual, segundo que as cenas de sonhos do filme são marcadas pela utilização do chamado "totem" e são necessárias a fim de informar a um personagem e ao espectador se ele está ou não sonhando. 


Temos pessoas com papéis específicos no filme, como "O Arquiteto", "O Falsário", "O Químico". Além disso, os sonhos tem regras: morrer em um sonho obriga o sonhador acordar. Se nos aprofundarmos no sonho podemos cair em um sono eterno chamado "Limbo", utilizando memórias para a construção de sonhos o que se torna perigoso porque distorce a linha que delimita o sonho da realidade . Também, se intrometer nos sonhos de outros fará com que o sonhador tenha "projeções" (representações humanas criadas pelo sonhador) para atacar os invasores, como os glóbulos brancos (leucócitos) do sangue combatendo uma infecção. E essas explicações representam apenas uma fração da terminologia, regras, exceções ou detalhes que são necessários para criar esse mundo.

Mas não se trata de um filme confuso se você der toda a atenção. Há um monte de filmes que você apenas desliga o cérebro e curte "o passeio", numa espécie de estado vegetativo. Inception está longe disso: o espectador mantém a sua imaginação "ligada", apesar da quantidade de informações necessárias para entender as premissas e o enredo. É um filme construído sobre as possibilidades e a ousadia de buscar essas possibilidades.

Na sua essência, por trás da fantasia que define os mundos insanos da mente, Inception é um filme que gira em torno de roubo de informações. Esta é a força motriz por trás da trama. Leonardo DiCaprio interpreta Cobb, "O Extrator", que é o homem que entra nos sonhos de outras pessoas para roubar seus segredos. Cobb é contratado para roubar os segredos de Saito, interpretado por Ken Watanabe, um empresário que descobre os planos de Cobb e depois o contrata para invadir e plantar uma ideia na mente de outro sujeito, por motivos empresariais. Cobb aceita o trabalho com base em uma promessa de Saito, que é fazer com que ele possa voltar para sua família e rever seus filhos.


Cobb, em seguida, prepara-se para formar a sua equipe que é constituída por Joseph Gordon-Levitt como Arthur, "O Homem-ponto", Ellen Page como Ariadne, "O Arquiteto", Tom Hardy como Eames, "O Falsário", e Rao Dileep como Yusuf, "O Químico". Juntos o grupo é encarregado de implantar a idéia na mente de Robert Fischer Jr., interpretado por Cillian Murphy, o filho de um magnata da produção de energia, e principal rival de Saito. A história toma um rumo inesperado, quando a esposa de Cobb, Mal, interpretada por Marion Cotillard, continua a assombrar os sonhos Cobb.


O âmbito deste filme é impressionante. Mundos caindo em cima de outros, um trem de carga colidindo em uma rua da cidade, hotéis perdendo toda a gravidade, e tudo o que encaramos racionalmente como impossível parece algo completamente natural em Inception. Não é suficiente dizer que a fotografia é linda, ou que o design de som é sensacional, ou que este é um dos melhores trabalhos do compositor Hans Zimmer. É como ouvir belos solos misturados com hinos gloriosos.

Você pode ser o melhor diretor, mas você só chega longe se você se preocupa com os personagens. Em Inception, cada personagem não só tem uma habilidade particular e de tarefa, mas tem uma personalidade que espelha a sua descrição, e Nolan acertou nisso.

Isso não quer dizer que este filme é perfeito. Tanto quanto me dói dizer que há algumas falhas no diamante de Nolan. O final é provável? Talvez. Mas faz você pensar e questionar o que você acabou de ver. Algumas pessoas vão adorar, e outras odiar. Mas deixo registrado que eu simplesmente adorei.


Inception obteve várias indicações para o Oscar e na época eu estava torcendo muito para que ganhasse como melhor filme. Fiquei muito triste por ele não ter ganho, mas depois que assisti "O Discurso do Rei" (The King's Speech), eu até entendi (numa outra oportunidade falarei sobre este filme).

Recomendo Inception! Você nunca viu nada parecido e vai querer vê-lo novamente.


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.:: Andhora Silveira ::.

É graduanda em Ciência da Computação. Ama ficção científica,
histórias em quadrinhos, heavy metal, livros, física, astronomia e tecnologia.
É uma leitora exigente e gosta muito de escrever. Vida longa e próspera.

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2 comentários:

Bob Mota comentou:

Eu adorei o filme, Nolan acertou em cheio na escolha dos atores, fotografia, trilha sonora, etc. Conseguiu explorar bem a temática.
Discordo só quanto a sua opinião a respeito do final, adoro filmes com esse "final duplo". O espectador conclui o que ele quiser.
No entanto tem pessoas que não gostam disso, como um amigo meu que odiou o filme. Apesar do Michael Kane explicar o final. Segundo ele, o seus personagem não aparece nos sonhos, portanto.......interprete como quiser.

* Andhora Silveira * comentou:

O que eu falei sobre o final do filme é o fato de que algumas pessoas possam o achar óbvio demais... Não critiquei negativamente o fato de ser duplo :) Até mesmo porque nem achei tão duplo assim. Ele ficou bem definido, porém enigmático.

Acho muito legais filmes que terminam com uma interrogação no final... que te façam pensar. Refletindo bastante e assistindo novamente eu concluí que o final era "realidade" de fato. Mas essa é minha opinião apenas! ;)

:)) ;)) ;;) :D ;) :p :(( :) :( :X =(( :-o :-/ :-* :| 8-} :)] ~x( :-t b-( :-L x( =))

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