Minhas Impressões: Blade Runner (1982)/Blade Runner: The Final Cut (1992)


- terça-feira, 11 de janeiro de 2011
* Alerta de Spoiler: Este post discute livremente elementos de toda a trama do filme. Aqueles que não viram o filme e querem o ver antes, são encorajados a regressar depois de tê-lo visto. *



Nos quase 29 anos desde seu lançamento original, Blade Runner se tornou um dos filmes mais discutidos, debatidos e influentes da ficção científica. Hoje em dia, é quase impossível encontrar um filme de ficção científica que não tenha se inspirado no estilo visual de Blade Runner.

Uma vez que o gênero começou, a ficção científica procura abordar questões pertinentes ao futuro da humanidade, da ciência e da tecnologia com muita intelectualidade e sutileza.



Em colaboração com a Warner Brothers, Ridley Scott, o diretor de Blade Runner, fez pequenas alterações no original de 1982, eliminando a narração. No final de 1992, a nova versão foi lançada em um número limitado de cinemas e foi aclamada como a "versão definitiva" por fãs do mundo inteiro - Blade Runner: The Final Cut.

Atualmente Blade Runner é muito respeitado e é difícil acreditar que na época de seu lançamento ele recebeu muitas críticas. Críticas, na sua maior parte, negativas. (Isso não é surpreendente. Muitos filmes de ficção científica à primeira vista são encarados dessa maneira e só depois então são reavaliados. "2001: Uma Odisseia no Espaço" é um exemplo clássico.)

Mas a visão de futuro oferecida por Ridley Scott é hipnotizante e provocante. Trouxe termos como cyberpunk e adaptação para o vocabulário americano, com isso fez um retrato sensor voluptuosamente decadente e sobrecarregado do que poderia ser Los Angeles em 2019: lotada, poluída, ressoante, úmida, desesperada, sombria e diversificada.



A tecnologia faz com que a humanidade tenha acesso às estrelas, mas há muitos problemas aqui na Terra. Criações sintéticas que de perto se assemelham a seres humanos e que é quase indetectável as diferenças, os "replicantes", não são permitidos no mundo. Eles são apenas utilizados na exploração espacial. No entanto, um grupo de replicantes mais avançados retornam à Terra em uma nave espacial roubada. Há quatro deles: dois homens - Roy Batty (Rutger Hauer) e Leon Kowalski (Brion James) - e duas mulheres - Pris (Daryl Hannah) e Zhora (Joanna Cassidy). Eles estão à solta e são considerados perigosos. Seu líder, Roy, tem um objetivo: prolongar suas vidas. Como uma medida de segurança, os replicantes são criados com um limitado tempo de vida de quatro anos. Depois disso, eles "expiram". Roy quer viver tanto quanto qualquer ser humano.

Blade Runners são caçadores de recompensas contratados para rastrear e aniquilar os replicantes que violam a lei e chegam à Terra. Rick Deckard (Harrison Ford) é considerado um dos melhores caçadores de andróides, mas ele quer se aposentar do negócio. No entanto, quando seu ex-chefe, Bryant (M. Emmet Walsh) solicita, Deckard não tem escolha senão concordar em fazer mais um trabalho. Seu primeiro passo para rastrear os quatro assassinos replicante é parar no local onde eles foram criados, Tyrell Industries. Lá, Deckard encontra Rachael (Sean Young), um novo tipo de replicante quase tão perfeita que até Deckard se engana. Rachael se torna uma inesperada aliada de Deckard em busca de Roy, Leon, Pris, e Zhora, mas quando Bryant descobre que ela está à solta, ele ordena que o blade runner a destrua também.



A questão ética central tocada por Blade Runner popularizou-se na ficção científica, já que é o início do gênero.

O que é vida? É o mesmo problema ponderado por Mary Shelley em Frankenstein, traduzido para um futuro distante. Não se trata mais de uma criatura disforme e construída a partir de partes de corpos de cadáveres. Agora, as criaturas são réplicas quase perfeitas dos seres humanos. Elas vivem, comem, bebem, fazem amor, pensam, sentem e perecem. Mas elas têm alma?

Blade Runner é tanto de um jogo de moralidade como de ação e aventura. A questão da existência ou não dos replicantes tomam ecos em inúmeros filmes e séries de televisão. Encontra-se no coração de Issac Asimov em "Eu, Robô (livro e filme)". É essencial para a premissa da atual série de TV "Battlestar Galactica". Blade Runner não inventou a questão, mas provavelmente a popularizou.

Aqueles que esperam ver Harrison Ford como o herói pleno "Han Solo" ou "Indiana Jones" terão uma decepção. Deckard é ainda capaz de fazer o seu trabalho, mas ele não tem o mesmo entusiasmo. Ele é um caçador relutante, e sua relutância se torna mais evidente com o desenrolar do filme. Ele também não é o "Blade Runner" que ele costumava ser. Ele faz o trabalho, mas começa o inferno interno dele em várias ocasiões, como na intervenção oportuna de Rachael quando ele confronta Leon, ou na perseguição de Pris e Roy.

O confronto final entre Deckard e Roy é atípico de um filme de ação. A fórmula requer que estes dois se envolvam em uma longa e dura luta antes de Deckard vencer Roy. Mas não é isso que acontece. A luta ocorre, mas Deckard é o perdedor. Roy o salva, mesmo tendo toda razão para deixar Deckard morrer.



Por que Roy salva Deckard? Talvez, reconhecendo que o fim está próximo, Roy não quer morrer sozinho. Seus companheiros não estão mais com ele; Deckard é o único que está com ele naquele momento. Essa ação, mais do que qualquer outra, defende a "humanidade" dos replicantes. O que poderia ser mais humano do que não querer morrer sozinho?

O filme é baseado no livro "Do Androids Dream of Electric Sheep", de Philip K. Dick (escrito em 1968). O que mais me impressiona é o visual do filme, que se tornou o legado de Blade Runner. A mistura de alta tecnologia (veículos aéreos) com a pobreza (incêndios e latas de lixo) resulta em imagens indeléveis.

A história de amor de Deckard com Rachael é estranha e violenta, porém o romance é necessário para a história e enfatiza a linha obscura entre homens e replicantes, mas ele falha em um nível emocional. O fundo musical da cena de romance deles tornou-se um clássico.



Embora os cortes do diretor remove a narração infeliz do original e elimina o final piegas, ele também levanta uma questão que tem dividido os fãs: Seria Deckard um replicante? A resposta parece ser "sim". A prova é rápida e quase imperceptível, mas aparentemente conclusiva. No filme, Deckard sonha com um unicórnio. Mais tarde, ele encontra uma imagem de origami do animal criado por Gaff. Isso é visto como prova de que alguém sabe sobre as memórias e sonhos de Deckard, o que significa que são implantados, não são reais. Apenas replicantes especiais têm memórias implantadas. Mas é uma conclusão muito duvidosa ainda. Em última análise, a determinação deve ficar a cargo de cada espectador em individual.

Blade Runner é um filme raro, icônico, polêmico, impactante – imagine você escrever um livro na década de 1960 e ter o seu livro adaptado para o cinema décadas mais tarde! – mesmo depois de tanto tempo, ele é capaz de impressionar, nos fazer refletir e expandir nossa imaginação. Blade Runner é um filme obrigatório para os fãs de ficção científica.

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.:: Andhora Silveira ::.

É graduanda em Ciência da Computação. Ama ficção científica,
histórias em quadrinhos, heavy metal, livros, física, astronomia e tecnologia.
É uma leitora exigente e gosta muito de escrever. Vida longa e próspera.

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1 comentário:

Bob Mota comentou:

Excelente análise Dhorinha. O filme é espetacular e eu não sabia que tinha sido inspirado num livro. Vou procurá-lo. Será que segue a máxima de que todo livro é melhor que o filme?
Ah, e pra mim, Deckard é humano.

:)) ;)) ;;) :D ;) :p :(( :) :( :X =(( :-o :-/ :-* :| 8-} :)] ~x( :-t b-( :-L x( =))

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