Minhas Impressões: Tron - Uma Odisseia Eletrônica (1982)


- quarta-feira, 15 de dezembro de 2010


Com a continuação de Tron sendo lançada depois de 28 anos (Tron Legacy), o Tron original claramente deixou uma impressão duradoura. Se essa impressão vale uma sequência, eu ainda tenho minhas dúvidas, a não ser que seja com uma história brilhante. Contudo, uma análise do filme original de 1982 pode indicar se Tron Legacy vai valer a pena ou não.

É por isso que decidi assistir Tron em DVD (foi bem difícil consegui-lo), afinal, um filme como esse, merece uma investigação de suas origens e não posso fazê-la sem ter conhecimento.

Bem, você já imaginou como seria estar fisicamente dentro de um jogo de computador? Não estou falando apenas de realidade virtual, mas de fato dentro deles. Já imaginou como seria entrar em um dos primeiros jogos de computador, como Asteroids ou Space Invaders, ou de qualquer outro jogo da década de 1980? Foi o que as pessoas na época fizeram e essa foi a grande ideia de Tron.


É início dos anos 1980 e Kevin Flynn (Jeff Bridges) é um programador de jogos que estava despontando e se destacando na empresa em que trabalhava. Ele trabalhava na empresa de tecnologia ENCOM, e os jogos de Flynn foram roubados por seu colega de trabalho, Ed Dillinger (David Warner), que usou isto para ganhar poder na empresa. Agora como vice-presidente sênior da ENCOM, Dillinger criou o Master Control Program (MCP), um sistema inteligente que controla a rede de computadores da ENCOM, além de roubar programas de outras empresas para aumentar seu poder de forma autônoma. Flynn está determinado a obter elementos a partir da rede ENCOM para provar o roubo de Dillinger. Mas depois de invadir um laboratório ENCOM, Flynn é teletransportado para dentro da rede de computadores pelo MCP.

Dentro da rede é um mundo visualmente impressionante de programas, bits, memórias e dados na forma de uma sociedade. Esta sociedade é regida pela Master Control Program, cujo regime tirânico dita as vidas dos programas capturados. Estes programas aparecem como humanóides que lembram seus programadores (ou "usuários", como são conhecidos), muitos dos quais estão presos por acreditar em tais "usuários" e forçados a competir em "jogos de computadores" fatais.
Flynn, junto com dois colegas que ainda trabalham na empresa, Alan Bradley (Bruce Boxleitner) e Lora Baines (Cindy Morgan), tentam utilizar o programa de segurança independente chamado Tron (Bruce Boxleitner) para lutar contra o Master Control Program e recuperar a prova valiosa escondida dentro do sistema.


O conceito por trás Tron me lembra hoje os filmes da Pixar, como Toy Story, Carros, na medida em que traz vida e emoção a um mundo inanimado e não-humano. O conceito é o mesmo. Tron, assim como a Pixar vem fazendo, também aplica essas regras ao mundo inanimado, convertendo-as para o cinema.

As referências à informática e à línguagem de programação são abundantes, inteligentes, muito bem-vindas e considero até emocionante, tendo em vista em que se trata de uma época em que a programação estava tendo o seu auge no setor empresarial. Eu particularmente adorei a aparência do filme.

Tron, claro, não possui os melhores efeitos especiais, mas visa o público familiar. A trama em si é bastante fácil e agradável de acompanhar. Os temas são igualmente leves, apesar de abordar ideias como religião, fé, verdade e autoridade. Fiquei impressionada com o fato de um filme conseguir focar a todos esses temas utilizando apenas imagens.

O filme é bem feito, no geral. Jeff Bridges é a grande estrela do filme, adotando um forte senso de aventura e atitudes divertidas. O personagem de Bruce Boxleitner, o programa de segurança Tron, apesar do título, não é tão evidenciado.


O filme foi bastante radical para a época. Numa época em que jogos de Atari, como Space Invaders representou o estado-da-arte em computação, os seus efeitos especiais foram muito originais. Muito antes de alguém falar em "ciberespaço" e "realidade virtual", o universo retratado por Tron foi um protótipo básico de ambos.

No processo, os estúdios de Walt Disney, criaram um dos filmes mais cientificamente influentes de ficção. Junto com Blade Runner (também lançado em 1982), Tron inspirou a iconografia visual de muitos filmes de ficção científica que vieram depois. Os gráficos de Tron antecipou todos os clichês do gênero cyberpunk, que podem ser visto em Johnny Mnemonic, só para citar um exemplo.


Na perspectiva de 2010, o estilo visual de Tron ainda é brilhante, por várias razões. Muitos dos jogos físicos no mundo dos computadores retratados em Tron são extraordinários, mesmo para os padrões de hoje. Cada personagem está vestido com trajes brilhantes de azul ou vermelho, enquanto a sua pele está em contraste preto e branco. Existem também as sequências geradas por computador incorporadas dentro do filme, que se encaixam perfeitamente.



Eu realmente gostei de Tron mais do que eu esperava. Não espere ver um clássico atemporal, mas sim um clássico retrô. Muitos espectadores mais jovens podem achar que é difícil assistir algo mais lento do que a ficção científica contemporânea, mas se você tem o sofisticado apreço por filmes mais antigos, Tron é definitivamente o filme. Quanto à necessidade de uma sequência: Eu acho essa uma ideia bastante intrigante, embora não seja absolutamente necessária. Estou feliz pelo regresso de Jeff Bridges e estou ansiosa para ver como 28 anos mudou sua maneira de atuar nas telas de cinema.



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.:: Andhora Silveira ::.

É graduanda em Ciência da Computação. Ama ficção científica,
histórias em quadrinhos, heavy metal, livros, física, astronomia e tecnologia.
É uma leitora exigente e gosta muito de escrever. Vida longa e próspera.

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2 comentários:

Bob Mota comentou:

O que dizer dos seus posts não é?!
Mais um bom post é pelo mesmo insuficiente. Está ótimo de verdade.
E não é babação de namorado não tá?!
Eu realmente gostei. Concordo com tudo o que faz de Tron incrível e não sei também se uma continuação era necessário.
Espero que não destruam o que faz do filme algo tão bom.Se for só pra transformar o filme em uma sequência vai de efeitos especiais, espero ficar com o original de 1982.

Atilassauro comentou:

Tron foi um marco.
Assisti quando criança e nunca mais esqueci.
Só espero que o novo mantenha a qualidade.

:)) ;)) ;;) :D ;) :p :(( :) :( :X =(( :-o :-/ :-* :| 8-} :)] ~x( :-t b-( :-L x( =))

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