Minhas impressões: Tron – Legacy (2010)


- sexta-feira, 24 de dezembro de 2010


** Warning: Esse post pode conter spoilers **

Saudações programa! Bem-vindo de volta à Grade. 28 anos é de fato muito tempo...

Tron foi lançado antes de eu nascer, mas considerando que a maioria das minhas coisas favoritas vem desta década, tenho que dizer: amei esse filme.

Ok, eu já falei isso em um post anterior (Minhas impressões: Tron – Uma Odisseia Eletrônica [1982]), mas quando eu finalmente consegui assistir Tron, o meu principal sentimento foi de respeito e admiração por aquele enredo tão rico e pelas realizações técnicas/cinematográficas que a época permitiu que fossem feitas.

Eu estava realmente muito ansiosa para ver a sequência tão esperada de Tron. Também estava ciente e preparada para tudo, porque temia que uma sequência fosse desnecessária, talvez. Meus temores se confirmaram.

Tron: Legacy foi um bom filme. Teve momentos incríveis e alguns nostálgicos. É bonito de se ver, mas está longe de ser um grande filme.



Admito que eu sou uma nerd mesmo. Afirmo isto para explicar o fato de que quando fui assistir Tron: Legacy eu estava com noções pré-concebidas. O Tron original foi sensacional para mim, mas Tron: Legacy não chegou ao nível de emoção do anterior. Ele com certeza conseguirá entreter seus espectadores, principalmente aqueles que não assistiram Tron. O visual é sem dúvida deslumbrante, mas o enredo é fraco e pobre.

Tron: Legacy é a história de Sam Flynn (Garrett Hudlund), filho "órfão" de Kevin Flynn (Jeff Bridges), um programador e visionário que desapareceu há 20 anos depois de alegar ter testemunhado um milagre que iria mudar o mundo. Ao longo dos anos, todos, incluindo Sam, começam a suspeitar que Kevin simplesmente fugiu. Carregando essa amargura, Sam continua a esquivar-se de suas responsabilidades como acionista principal da corporação global Encom, e passa seu tempo se rebelando contra o seu patrimônio.

O velho amigo de Kevin, Alan (Bruce Boxleitner, que interpretou o papel de Alan/Tron no filme original), diz a Sam que ele recebeu uma mensagem de Flynn em seu velho page. Apesar de seu ceticismo, Sam vai para o Fliperama de Flynn e descobre uma sala secreta, onde tem o laser capaz de transformar a matéria em bits e transportá-la a uma nova realidade.

Sam se encontra de repente em um mundo computadorizado chamado de "A Grade" (Grid), onde ele é rapidamente capturado e considerado um programa não-autorizado. No desenrolar dos acontecimentos, Sam revela ser um usuário e é levado perante o líder da Grade, que é um avatar de seu pai jovem (graças a alguns artifícios da computação gráfica que faz com que Jeff Bridges pareça mais jovem). Sam logo percebe que não é seu pai, mas sim Clu, um programa projetado por Kevin Flynn para ajudar a criar o sistema perfeito. Clu tem seus próprios planos e se rebela contra Kevin e Tron, tomando o poder da Grade.

Sam depois de disputar alguns jogos, é resgatado pela misteriosa Quorra (Olivia Wilde), que o leva para ver seu pai, que logo o explica a história do mundo que ele criou. Após o reencontro de Sam e Kevin, eles discutem acerca de uma maneira de escapar dali, mas a ameaça de Clu acaba por ser maior do que qualquer um pensava inicialmente e o destino do mundo real está em jogo.



O enredo é a parte mais fraca de Tron: Legacy, pois existem muitos buracos na história. Tem muitos momentos em que o filme não parece se preocupar em oferecer explicações. Uma boa parte da história gira em torno da descoberta de Kevin de uma nova forma de vida conhecida como algoritmos isomórficos (ISO's), que Kevin insiste em dizer que vai mudar totalmente o mundo em todos os campos da ciência, tecnologia, filosofia e até mesmo da religião, mas não existe absolutamente nenhuma indicação de como eles poderiam fazer isto. Você pode imaginar e fazer suas próprias suposições, mas é estranho e tira um pouco do seu foco nos acontecimentos do filme. Em vez de ficarmos chocados e surpreendidos com a descoberta, você começa a se perguntar se perdeu alguma coisa.

O filme pode ser dividido em três partes:

  • A primeira é o acúmulo de algo que vai inevitavelmente acontecer.
  • A segunda são as cenas de ação, que são destaque do filme.
  • A terceira são as explicações.

Grande parte do filme é passada com personagens que explicam a Sam o que está acontecendo e o que aconteceu até aquele ponto. Nem todas essas explicações fazem sentido. Ironicamente, para um filme com um enredo bastante superficial, existe uma grande quantidade de tempo gasto para tais explicações. É uma contradição estranha.

O filme é incrivelmente belo em seus gráficos, mas o tom é excessivamente escuro e absolutamente diferente do Tron original. Uma das coisas que me pegou de surpresa foi justamente o tom do filme e gostaria de entender o porquê de fazerem tão diferente do filme de 1982. Está bem... Tron teve seus momentos sombrios, mas também tinha muito humor. Mas Tron: Legacy é um filme escuro em todos os sentidos da palavra.

O mundo da Grade é um lugar de opressão e de controle total, e que é evidente adicionando que a "treva" é o tema do filme. Tem a história do reencontro entre pai e filho, mas a maior parte da trama é destacada pela tensão, medo e desespero. A Grade é um lugar triste, e seu criador, Kevin Flynn luta com a culpa sobre as suas criações (criatura se volta contra o criador), enquanto que Clu é preenchido com um sentimento de traição.

Tron: Legacy não é uma "diversão" no sentido tradicional. Esse julgamento não é sobre o filme, é simplesmente uma constatação quando se assiste. Tron: Legacy é mais um drama do que qualquer outra coisa. Esse sentimento dramático corre desde os primeiros momentos do filme até o final. Se você está esperando muitos momentos alegres, você terá sem dúvida uma surpresa negativa.

Jeff Bridges foi (novamente!) a grande estrela do filme. Os pouquíssimos momentos de nostalgia e de humor aconteceram graças a sua atuação.

Quando o Tron original foi lançado, era o primeiro de seu tipo, tanto em termos de tecnologia de ponta como em termos de imaginação. Tron: Legacy, parece ter reconhecido isso e tentou alcançar o nível do seu antecessor, apesar de um hiato de quase três décadas. Em termos de Computação Gráfica, especialmente nos cenários de ação, nada chega perto de Tron: Legacy. É uma visão impressionante!

Há, talvez, uma exceção notável a se fazer quanto aos efeitos de computação gráfica e essa você deve aceitar e esquecer. Embora os efeitos de computação gráfica utilizados para fazer Jeff Bridges 20 anos mais jovem tenham sido extraordinários, elas são também um pouco difíceis de aceitar, especialmente quando ele está falando ou sorrindo. Não parece muito natural. Tem muitas cenas de flashback durante o filme, que mostram Bridges em 1982 que tornam evidente que a tecnologia, embora impressionante, é um tanto falha. Assim como o enredo, isso é algo que você deve ignorar.

As cenas das batalhas, tanto a "disco-a-disco" como as corridas em lightcycle, são verdadeiramente surpreendentes.



O filme tem conotações religiosas, apresenta a relação entre pais e filhos, criadores e suas criações, sacrifício e livre-arbítrio. Lembrei-me também de Star Wars muitas vezes, tanto em termos temáticos, como nas cenas de ação. Apesar de seus mútiplos defeitos, eu gostei de Tron: Legacy e ele é cheio de referências que geeks, como eu, vão adorar.

Uma das cenas que mais gostei foi quando Sam Flynn está no Fliperama de Flynn e nesse momento começa a tocar "Separate Ways (Worlds Apart) – Journey". Eu particularmente gosto muito dessa música. A propósito, gosto muito de Journey e eles foram um forte ícone da década de 1980, se tornando um momento emocionante e nostálgico do filme.

Prós:

  • Tron: Legacy é o próximo passo no futuro de efeitos visuais que começou com Avatar.
  • Possui performances muitos sólidas, principalmente do grande Jeff Bridges.
  • Explora conceitos de Software Livre. Achei isso positivo.

Contras:

  • Uma trama com muitos buracos e sem muitas explicações.
  • O mundo em torno dos personagens é vazio.
  • Achei a morte de Kevin Flynn desnecessária.
  • Mais uma vez o filme recebe o nome de "Tron", porém Tron não é tão evidenciado.
Uma forte dúvida que ficou em minha cabeça e que não teve nenhuma explicação: "Se um ser humano que é transportado para a Grade envelhece naturalmente (como foi o caso de Kevin Flynn) e os programas continuam com a mesma aparência sempre e nunca envelhecem, então se um programa é transportado para o mundo real (como foi o caso de Quorra) isso significa que este programa nunca irá envelhecer?"


Se você ama o Tron original, então você vai ficar curioso para voltar a esse mundo e ver como ele cresceu e mudou durante milhares de micro-ciclos desde sua criação.


author

.:: Andhora Silveira ::.

É graduanda em Ciência da Computação. Ama ficção científica,
histórias em quadrinhos, heavy metal, livros, física, astronomia e tecnologia.
É uma leitora exigente e gosta muito de escrever. Vida longa e próspera.

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1 comentário:

Bob Mota comentou:

Você pensou o mesmo que eu. É um bom filme mas não chega perto do primeiro.
Não sei se a sequência era necessária, mas já que demoraram tanto, poderiam ter feito algo melhor.
É como você disse, o filme deixa muitas questões em aberto.
E pra mim 3 coisas salvam o filme:

- A Ação
- Jeff Bridges
- A menção ao software livre

E ainda não entendo o porque que chama Tron. Ele nesse filme teve boas aparições, mas não era o tema central do filme. No primeiro pelo menos ele resolvou a bagaça lá. Mas agora, não fez muita coisa.
Enfim acho que dá pra encarar como uma homenagem ao primeiro filme.

:)) ;)) ;;) :D ;) :p :(( :) :( :X =(( :-o :-/ :-* :| 8-} :)] ~x( :-t b-( :-L x( =))

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