Afinal, o que é Inteligência?


- sexta-feira, 8 de outubro de 2010




Uma vez (já faz algum tempo), me sugeriram escrever sobre uma temática que causa muitas controvérsias hoje em dia. "Afinal, o que é inteligência pra você?"

Irei descrever uma parte da conversa:

[ADAPTADO] Matheus:

A questão que eu coloquei é a seguinte... Você considera um cão um ser inteligente? Parti para falar de comportamentos de insetos: um exemplo clássico é da construção das colmeias. O hexágono é a forma ideal para volume, mas um matemático descobriu que as abelhas não faziam um casamento perfeito do fundo de cada casa... Alguns anos depois descobriram que o matemático estava errado (é citado num dos livros de Malba Tahan). Esse é um comportamento construído do instinto... mas não descarta uma inteligência....
Daí você volta para os seres humanos: Que princípios definem o ser humano como inteligente? Adaptação ao meio? Não necessariamente... Dado o devido tempo, toda espécie se adapta. São as artes e lazer (o ócio)? Também não... Várias espécies se beneficiam do tempo livre. Reconhecimento de si? Também não... Um ponto em comum da definição de inteligência que vejo é ser capaz de criar abstrações... e o exemplo mais comum disso é a matemática (vide o filme/livro: Contato). No entanto, isso é o mínimo.. várias espécies são capazes de realizar contagem... Talvez então seja nossa capacidade de comunicação? Mas espécies de macacos são capazes de manter uma tradição oral (o que foi o princípio da humanidade). É a capacidade de registro então? A escrita é a pedra fundamental da inteligência? E se uma espécie fosse capaz de se desenvolver sendo capaz de se comunicar por um ether? Se a necessidade do meio escrito não fosse necessário porque cada ser sabe o que o outro pensa? (P.S.: isso foi antes de Avatar... pra deixar claro) Como tal sociedade inteligente se desenvolveria?



Essa conversa me rendeu horas e horas de reflexão. Até então, eu não havia pensado em inteligência sob esse ângulo de raciocínio.

O que era inteligência para mim?

Sou um ser racional.


Certo, isso me define como "ser inteligente"? Ora, inteligência é um termo difícil de definir, e isso pode significar muitas coisas para diferentes pessoas. Na verdade, esse termo tem dividido a comunidade científica durante décadas e ainda existem controvérsias com relação à sua definição exata e a sua forma de medição.

No sentido popular e convencional, a inteligência é definida como "a capacidade mental geral para aprender e aplicar o conhecimento e para manipular o seu ambiente, bem como a capacidade de raciocinar e ter pensamento abstrato". Outras definições de inteligência incluem adaptação a um novo ambiente ou a mudanças no ambiente atual, a capacidade de avaliar e julgar, a capacidade de compreender ideias complexas, a capacidade de pensamento original e produtivo, a capacidade de aprender rápido e aprender com a experiência e até mesmo a capacidade de compreender as relações. Seria uma definição razoável. Mas creio que vai muito além.

A capacidade de interagir com o ambiente e superar seus desafios é muitas vezes vista como um sinal de inteligência. Neste caso, o ambiente não se refere apenas a uma paisagem física (por exemplo montanhas, florestas, deserto) ou ao ambiente (por exemplo, escola, trabalho, casa), mas também se refere às relações sociais de uma pessoa, como colegas, amigos e família - ou mesmo pessoas que você não conhece. Um tipo alternativo de inteligência frequentemente mencionado na mídia popular é a "inteligência emocional". Ela refere-se à capacidade do indivíduo de entender e estar ciente das suas próprias emoções, bem como as emoções das pessoas ao seu redor. Esta capacidade permite-lhe lidar com as interações sociais e ter um melhor relacionamento.

Einstein disse: "Em momentos de crise, só a imaginação é mais importante que o conhecimento".

Sócrates disse: "Eu sei que sou inteligente, porque sei que nada sei".


Durante séculos, os filósofos têm tentado identificar a verdadeira medida da inteligência. Mais recentemente, neurocientistas têm entrado no debate, em busca de respostas sobre a inteligência em uma perspectiva científica: o que torna alguns cérebros mais inteligentes do que outros? São pessoas inteligentes aquelas que melhor possuem armazenamento e recuperação de memórias? Ou talvez sejam aquelas que seus neurônios tem mais conexões que lhes permitem combinar criativamente ideias diferentes?

Como é que a queima de neurônios microscópica levou as centelhas da inspiração para a criação da bomba atômica? Ou todo aquele pensamento fantástico de Oscar Wilde?

Cientistas insatisfeitos com a ideia tradicional de uma única inteligência postularam teorias alternativas, como a ideia de "inteligências múltiplas" - isto é, a inteligência é o resultado de várias capacidades independentes que se combinam para contribuir para o desempenho total de um indivíduo.

Certo. Habilidade de resolver problemas... Rapidez mental... Conhecimentos gerais... Criatividade... Raciocínio abstrato... Memória... Tudo isso faz parte do que seria "Inteligência". A inteligência seria um termo genérico que tem por objetivo abranger uma variedade de habilidades mentais que estariam relacionadas entre si. Razoável?

Sob esse contexto, a inteligência pode ser dividida em oito componentes distintos: lógica, orientação espacial, linguística, interpessoal, naturalista, cinestésica, musical e intrapessoal.

Embora haja uma série de métodos diferentes para medir a inteligência, o método padrão e mais amplamente aceito é através da medição do "quociente de inteligência" de uma pessoa ou simplesmente QI, baseado em uma série de testes que avaliam diferentes tipos de habilidades tais como matemática, espacial, lógica, verbal e memória. Logo, do ponto de vista de inteligências mútiplas, o teste do QI é falho.

No contexto educacional, a inteligência de uma pessoa é muitas vezes sinônimo de seu desempenho acadêmico, mas isso não é necessariamente correto. Certamente, a capacidade de uma pessoa que pensa analiticamente e usa seu conhecimento e experiência é muitas vezes mais importante do que sua capacidade de comandar um grande número de fatos. Note também que a palavra inteligência vem do latim "intellegere", que significa "entender" - no entanto, a capacidade de entender poderia ser considerada diferente de ser "inteligente" - a habilidade de se adaptar e ser "inteligente" - a capacidade de se adaptar de forma criativa.

O que significa ser altamente evoluído?

Por que os seres humanos são considerados vertebrados mais "superiores" que os outros animais?

Até agora só vimos definições de inteligência no que diz respeito às qualidades humanas. Assim, tendemos a considerarmos como a espécie mais inteligente. No entanto, isso é realmente verdade absoluta? Os seres humanos tendem a ignorar qualquer informação que seja um pouco diferente da nossa. Nós aceitamos de bom grado a ideia de inteligência em uma forma de vida só se a inteligência exibida nesta tiver a mesma onda evolutiva quando comparada à nossa própria. Então, isso indica inteligência. Ausência de tecnologia também é um fator que se traduz como uma ausência de inteligência para a maioria de nós.

Certo... Pensamento limitado este. Não há nenhuma base certa para o pressuposto de que toda inteligência é a inteligência que seja como a humana. De fato, existem tendências inegáveis, tais como cérebros grandes em mamíferos e neocórtices maiores em primatas, mas a generalização de tais correlações não podem ser feitas sempre.

Como, então, podemos realmente comparar a inteligência de um crocodilo com a de uma baleia ou a de um ser humano?

Evolutivamente falando, os cientistas concordam que os organismos tornaram seus comportamentos mais complexos. Alguns argumentam que isto está correlacionado com o tamanho do cérebro ter aumentado com o tempo. Mudanças no cérebro podem ter ocorrido em estruturas específicas, por exemplo, o neocórtex, e não simplesmente no tamanho total do cérebro.

Outro método para observar tendências de evolução é olhar para os componentes do cérebro humano (como um exemplo de um cérebro altamente "evoluído" e "inteligente" dentre as espécies) e traçar a função evolutiva. Por exemplo, podemos compará-lo primeiro com um cérebro de um réptil (um exemplo de um organismo menos "inteligente").

O próximo componente do cérebro humano para se explorar é o sistema límbico. Alguns cientistas se referem a isso como o "cérebro paleomamífero". Em outras palavras, essa parte do cérebro que corresponde ao cérebro do mais "primitivo" dos mamíferos. A função do sistema predominante é a emoção, o instinto, a fome, a luta/fuga, a memória de entrada, a sensorial e o comportamento sexual.

Por fim, o neocórtex que é tido como sendo a parte superior ("neomammalian") do cérebro, que compõe a maior parte dos hemisférios cerebrais. As espécies que são consideradas altamente inteligentes, como os humanos e os golfinhos, tendem a ter neocórtices grandes. Essa estrutura é responsável pelas funções cognitivas mais elevadas e está associada com a maior complexidade comportamental. Embora todos os mamíferos tenham um neocórtex, alguns (por exemplo: um rato) tem menos do que outros (por exemplo: um ser humano). Curiosamente, um rato cujo córtex foi altamente lesado pode agir de uma forma relativamente normal, enquanto um ser humano sem um córtex em sua totalidade, não "funciona".

Concluindo: A inteligência parece-me ser relativa, a medida em que evolui para atender as necessidades de determinadas espécies.

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.:: Andhora Silveira ::.

É graduanda em Ciência da Computação. Ama ficção científica,
histórias em quadrinhos, heavy metal, livros, física, astronomia e tecnologia.
É uma leitora exigente e gosta muito de escrever. Vida longa e próspera.

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4 comentários:

Juliano Furlanetto comentou:

melhor texto que li em dias.

concluí que minha inteligência anda meio limitada haha.

bom final de semana

Atilassauro comentou:

Permita-em uma pequena correção, querida. A verdadeira frase de Albert Einstein é a seguinte: "Em momentos de crise, só a imaginação é mais importante que o conhecimento". É importante sabermos disso, pois o que mais vemos na net são fases distorcidas ou mal-compreendidas. Se pararmos para analisar, sugerir que a imaginação seria mais importante que o conhecimento não faz sentido. Sobre a idéia do texto, gostei bastante e concordo contigo. Aliás, a srta está escrevendo cada vez melhor. Dizer que inteligência seria exclusividade da nossa espécie é uma grande bobagem. Raciocínio e consciencia já foram observados em outros animais. A única diferença parece ser mesmo o fato de termos desenvolvido cultura e civilizações. Ainda assim há um porém: alguns cientistas defendem que as baleias e os golfinhos só não fizeram o mesmo porque não possuem mãos.

E um lembrete: eu sempre respondo os seus comments no meu blog... rs

Beijos.

* Andhora Silveira * comentou:

Muito obrigada pela correção Átila. De fato muda muito e agora faz muito mais sentido... Realmente não se pode confiar em tudo que se encontra pela internet xD

Eu ia até pedir tua ajuda quanto à questão da evolução dos cérebros entre as classes de animais, mas daí pensei que o post poderia ficar muito extenso e poderia entrar em um assunto mais complexo.

Muito obrigada! :)

Atilassauro comentou:

No problem, my dear.

Quando precisar, é só chamar.

Beijos.

:)) ;)) ;;) :D ;) :p :(( :) :( :X =(( :-o :-/ :-* :| 8-} :)] ~x( :-t b-( :-L x( =))

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