E o horror foi chamado... Poções das Bruxas! #Parte 1


- quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Este post "especial de Halloween", discute o papel pouco conhecido de substâncias alucinógenas utilizadas pelas bruxas medievais, incluindo uma teoria a respeito da real utilização da vassoura de bruxa...

Poções das Bruxas
por Paul Devereux

O conhecimento de plantas mágicas e medicinais que mulheres (ou homens) rurais da anglo-saxônia tinham em um período que vai da Idade Medieval à Idade Moderna na Europa, não pode ocupar um período que podemos chamar propriamente de pré-história, mas podemos dizer que a história estava lá fora, na medida em que era um conhecimento de vida em sua maior parte ignorado ou rejeitado pelas classes dominantes e sofisticadas, ou desencorajados e reprimidos pela Igreja. As perseguições que a Igreja orquestrava às bruxas na Idade Média transformou o país de fato em um país tradicional em que a histeria e neurose contra tudo o que era ou parecia satânico predominava.

Um dos elementos-chave da "tradição das bruxas" é que as bruxas eram capazes de voar em vassouras, bastões ou outros instrumentos para seus sabás e noites de encontros no deserto ou lugares isolados, além dos limites da cidade ou vila. "Poções de Vôo" eram utilizadas, esfregando-se no corpo da pessoa. Muito antes da Igreja contextualizar este "vôo" como uma prática diabólica, isso simplesmente estava acontecendo como parte de uma prática de mulheres e homens rurais sábios nas artes mágicas e cura com base no conhecimento de plantas. As pessoas que passaram a ser identificadas como "bruxas" pela Igreja eram, na realidade, simplesmente a continuação de uma antiga tradição dos viajantes "noite". No norte da Europa foram chamados qveldriga, "cavaleiros da noite", ou myrkrida, "andarilhos do escuro". Na Escandinávia, havia a tradição de seidhr, em que uma profetisa ou seidhonka fazia uma viagem ao redor de fazendas e povoados com um grupo de meninas para "sessões de transe divinas". Ela usava um traje específico para o ritual e carregava o seu grupo. A deusa Freya, que ensinou a Odin os segredos do vôo mágico, era a patrona de seidhr. "Viajantes Noturnos (mais tarde chamados de bruxas(os)) eram mais descuidados quando agrupados", afirma Hans Peter Duerr.

Dependendo do tempo ou lugar na Europa que eles operavam, os viajantes participavam como anfitriões do "vôo de Diana", Holda ou Frau Holda-Mother Holle (Hela, a deusa velada do submundo, cujo pássaro sagrado era o ganso de neve migrante). Ela é lembrada como a imagem de um ganso, que, quando queria passear, voava pelo ar. O pesquisador Nigel Jackson fez notar que:

"A Iconografia Celta, mostra a deusa Epona cavalgando um ganso em vôo. As chamadas dos gansos migrantes nas noites de inverno foram poeticamente percebidas como o latido dos cães espectrais, segundo o folclore do norte da Europa e estão intimamente ligados com o vôo da "Caça Selvagem" em regiões celtas e germânicas. A bruxa alemã Agnes Gerhardt, disse no seu julgamento em 1596 que ela e seus companheiros transformaram-se em gansos de neve, a fim de voar para o sabá."

"Bruxas" medievais esfregavam-se com gordura de ganso, talvez enriquecido com ervas alucinógenas, em um gesto simbólico de vôo sobrenatural. Duerr observa que os vôos noturnos eram conhecidos como "vôo dos gansos". Tudo isso foi o vestígio do espírito arcaico, conforme expresso na iconografia dos xamãs siberianos, a literatura védica da Índia e em achados arqueológicos de esfígies nas sepulturas do povo esquimó que migrou para a América do Norte da Sibéria.

A imagem da mulher voando é mostrada por instâncias em "The Golden Ass", escrita por Lucius Apuleio no século II dC, em que uma mulher é vista lambuzando-se toda com uma pomada, murmurando um feitiço , transformando-se em uma coruja e voando sobre os telhados. A viajante da noite (depois "bruxa"), representava os vestígios do Indo-xamanismo arcaico europeu: ela é o último eco da experiência extática (de extâse) tradicionais na Europa, um eco que a Igreja efetivamente silenciou pela intimidação e assassinato.

A fronteira entre cidade ou vila ("civilização") para além do deserto, estava carregada de significados que causavam pavor na Europa Medieval. Jackson indica que as tribos Saxônicas referem-se ao viajante noite como haegtessa, o "hedge-rider", para que pudesse atravessar a "ponte misteriosa" (fronteira), que divide os mundos dos vivos e dos mortos. "Logo cedo, as mulheres viajavam e se cercavam de demônios", informa Duerr. A vara em que a mulher andava era conhecida como "vassoura de bruxa". A idéia da ponte e dos viajantes da noite ou bruxas, tinham um significado literal nas mentes das pessoas, e plantas como o junípero, era usado para afastar bruxas. Certos lugares próximos de pontos eram ditos como o lugar onde as bruxas eram capazes de violar a fronteira do submundo. As portas da frente das casas eram protegidas por dispositivos, tais como garrafas com fios emaranhados dentro.

Continua...

#Parte 2: http://andhora-geek.blogspot.com/2009/10/e-o-horror-foi-chamado-pocoes-das_30.html

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.:: Andhora Silveira ::.

É graduanda em Ciência da Computação. Ama ficção científica,
histórias em quadrinhos, heavy metal, livros, física, astronomia e tecnologia.
É uma leitora exigente e gosta muito de escrever. Vida longa e próspera.

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