Qual a Origem do Universo?


- sábado, 10 de janeiro de 2009




O Sol é apenas uma de um número assombroso de estrelas que ficam num dos braços espirais da galáxia Via-Láctea, ela mesma é apenas uma diminuta parte do Universo. A Olho nu podem-se ver algumas manchas de luz que, na realidade, são outras galáxias, como Andrômeda, maior do que a Via Láctea. A Via-Láctea, a Andrômeda e mais umas 20 outras galáxias são mantidas juntas pela gravitação num aglomerado, todas elas ocupando apenas um pequeno espaço num vasto superaglomerado. O Universo contém inumeráveis superaglomerados e isso não é tudo. Os aglomerados não estão espalhados por igual no espaço. Numa escala enorme, eles parecem paredes e filamentos envolvendo gigantescas regiões vazias, ou 'bolhas'. Algumas partes são tão longas e largas que parecem muralhas. Quantos mais claramente vermos o Universo em todos os seus detalhes esplendorosos, tanto mais difícil será explicarmos com uma teoria simples como é que ele se formou.


As Evidências Apontam para um Começo






Todas as estrelas que vemos estão na Via-Láctea. Até os anos de 1920, esta parecia ser a única galáxia existente. Mas provavelmente você sabe que com as observações posteriores, com telescópios maiores, ficou provado que o Universo contém pelo menos 50 bilhões de galáxias, cada qual com bilhões de estrelas semelhantes ao Sol e o fato é que elas estão todas em movimento.
Os astrônomos descobriram algo notável: quando passaram luz galáctica através de um prisma, observou-se um 'esticamento' nas ondas luminosas, indicando que se afastavam de nós a grande velocidade. Quanto mais distante a galáxia, tanto mais rapidamente parecia afastar-se. Isso indica um Universo em expansão.
Ainda que para a maioria dos cientistas o Universo tenha tido um começo bem pequeno e denso, não podemos fugir desta questão fundamental: "Se em algum ponto no passado o Universo estava confinado a um estado singular de tamanho infinitamente pequeno e de infinita densidade, temos de perguntar o que havia ali antes e o que havia formado Universo... Temos de encarar o problema de um começo." - Sir Bernard Lovell.


Tentativas de Explicar um Começo


Em 1979, o físico Alan Guth apresentou a teoria do Universo Inflacionário. A Teoria da Inflação especula o que aconteceu uma fração de segundo após o começo do Universo. Os defensores da inflação sustentam que o Universo inicialmente era submicroscópico e daí inflacionou (expandiu-se) mais rápido do que a velocidade da luz (uma afirmação que ainda não foi provada). Essa teoria é polêmica. O Dr. Andrei Linde foi mais explícito num artigo em Scientific American: "Explicar essa singularidade inicial - onde e quando tudo começou - ainda é o problema mais renitente da cosmologia moderna."


Regulagem Perfeita


Quatro forças físicas fundamentais
1. Gravitação: Uma força bem fraca a nível de átomos. Afeta objetos grandes - planetas, estrelas, galáxias;
2. Eletromagnetismo: A força principal de atração entre prótons e elétrons, permitindo a formação de moléculas. Os relâmpagos são umas das provas de sua força;
3. Força nuclear forte: A força que liga os prótons e os nêutrons entre si no núcleo de um átomo;
4. Força nuclear fraca: A força que governa a desintegração de elementos radioativos e a eficiente atividade termonuclear do Sol.



As quatro forças fundamentais atuam tanto na vastidão do cosmos quanto na infinita pequenez das estruturas atômicas. Elementos essenciais à vida (especialmente o carbono, o oxigênio e o ferro) não poderiam existir sem a regulagem perfeita entre as quatro forças manifestas no Universo. Se a força eletromagnética fosse bem mais fraca, os elétrons não seriam mantidos ao redor do núcleo atômico. Assim os átomos não poderiam ligar-se para formar moléculas. Se essa força fosse bem mais forte, os elétrons ficariam aprisionados no núcleo do átomo, e dessa forma não haveria reações químicas entre os átomos, ou seja, não haveria vida. Já nesse aspecto fica claro que a vida depende da regulagem perfeita da força eletromagnética. E considerando a escala cósmica , uma leve diferença na força eletromagnética afetaria o Sol , alterando assim a luz que atinge a Terra, tornando difícil , ou impossível, a fotossíntese nas plantas, podendo também roubar da água as suas propriedades ímpares, que são vitais para a vida.
Igualmente vital é a intensidade da força eletromagnética em relação às outras três. Por exemplo, os físicos calculam que esta força seja 10.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000 (1040) de vezes maior que a gravidade. Poderia parecer ínfimo apresentar mais um zero a esse número, mas isto significaria que a gravidade seria proporcionalmente mais fraca. Com a gravidade mais fraca as estrelas seriam menores, e a pressão da gravidade nos seus interiores não elevaria a temperatura o suficiente para ocorrerem as reações de fusão nuclear: o Sol não teria mais como brilhar.
E se a gravidade fosse proporcionalmente mais forte, de modo que o número tivesse apenas "39 zeros"? Um estrela como o Sol teria sua expectativa de vida drasticamente reduzida.
De fato, duas qualidades notáveis do Sol e de outras estrelas são eficiência e estabilidade a longo prazo. veja uma ilustração simples: para funcionar bem, o motor de um carro precisa de uma combinação perfeita de combustível e ar. Engenheiros projetam complexos sistemas mecânicos e computadorizados para aperfeiçoar o desempenho. Se é assim com um simples motor, imagina dizer das eficientes estrelas de "combustão" como o Sol? As forças principais envolvidas estão reguladas com precisão viabilizando a vida.
A estrutura do Universo envolve muito mais do que apenas a regulagem perfeita da gravidade e da força eletromagnética. Considere a força nuclear forte , que liga os prótons e os nêutrons entre si no núcleo do átomo. Graças a essa ligação podem-se formar vários elementos - os leves (como hélio e oxigênio) e os pesados (como o ouro e o chumbo). Se essa força fosse 2% mais fraca, existiria apenas o hidrogênio. Inversamente, haveria apenas elementos mais pesados, mas não o hidrogênio. Se faltasse hidrogênio no Universo, o Sol não teria combustível necessário para irradiar energia vitalizadora. E é claro, não teríamos água nem alimento, pois o hidrogênio é um ingrediente essencial de ambos.
A quarta força em consideração, a força nuclear fraca, controla a desintegração radioativa. Afeta também a atividade termonuclear no Sol. O matemático e físico Freeman Dyson explica: "A [força] fraca é milhões de vezes mais fraca do que a força nuclear. É fraca justamente o necessário para que o hidrogênio no Sol queime num ritmo lento e constante. Se a [força] fraca fosse mais forte ou mais fraca, todas as formas de vida que dependem de estrelas do tipo do Sol também estariam em perigo."
Ademais, os cientistas acreditam que a força fraca participa nas explosões de supernovas, que eles acham ser o processo para a produção e distribuição da maioria dos elementos, "Se tais forças nucleares fossem ligeiramente diferentes do que são, as estrelas não produziriam os elementos dos quais você e eu nos compomos", explica o físico John Polkinghorne.

Existe uma surpreendente regulagem entre essas quatro forças fundamentais. "Parece que tudo ao nosso redor prova que a natureza fez tudo certo", escreveu o professor Paul Davies.
Sim. A regulagem perfeita entre as forças fundamentais possibilita a existência e a operação do nosso Sol, do nosso planeta, da atmosfera tão essencial à vida e de todos os elementos químicos existentes na Terra.






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.:: Andhora Silveira ::.

É graduanda em Ciência da Computação. Ama ficção científica,
histórias em quadrinhos, heavy metal, livros, física, astronomia e tecnologia.
É uma leitora exigente e gosta muito de escrever. Vida longa e próspera.

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3 comentários:

Anônimo comentou:

Puxa... Quanto equilíbrio existe no universo para que tudo “opere” em harmonia, nossas vidas são muito mais que “presentes do acaso”, estar aqui realmente é algo esplêndido. E muitas vezes nos falta compreender o quanto tudo é perfeito e por algo muito banal nos entregamos aos sofrimentos e não desfrutamos da dádiva que é viver. Pelo insuficiente e precário conhecimento, muitas vezes deixamos de atingir nossa plenitude como seres humanos. Indubitavelmente temos algo grandioso a construir por aqui!!! Que parcela do “equilíbrio” do universo esteja em nossos corações para que tenhamos perseverança para fazer deste planeta um lugar melhor, e também, que tenhamos sabedoria para mostrar às nossas crianças todas essas coisas magníficas e torná-las pessoas instruídas e superiores do que fomos um dia no passado.

Felicidades a todos!

Gaurry Gabriev Max comentou:

Muito bom. Obrigado pelo texto, que Jah te proteja!

Cara que passeia no orkut comentou:

só uma pergunta: os telescópios que ficam na órbita da terra como o hubble e o kepler tiram fotos e vídeos o tempo todo do espaço, não é? só que eles não ficam num lugar só, creio eu, ou seja esses telescópios se movem de uma distância considerável para outra, mesmo tirando uma imagem de um corpo celeste duas vezes. eis minha pergunta: tanto os telescópios da órbita da terra quanto os observatórios terrestres não sofrem influência do vento estelar ou de uma distância pequena, ainda mais com uma galáxia(ou nossa própria galáxia) que poderia estar se afastando "um pouco"? isso não interfere nessa medição do do teste do prisma, que identificou ondas luminosas?

:)) ;)) ;;) :D ;) :p :(( :) :( :X =(( :-o :-/ :-* :| 8-} :)] ~x( :-t b-( :-L x( =))

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