* Alerta de Spoiler: Este post discute livremente elementos de toda a trama do filme. Aqueles que não viram o filme e querem o ver antes, são encorajados a regressar depois de tê-lo visto. *
Diferente da maioria das trilogias, não é preciso ter obrigatoriamente assistido a série para entender o que está acontecendo em Homem de Ferro 3, mas ajuda se tiver visto Os Vingadores. Achei um bom filme, com mais algumas surpresas e menos clichês do que Os Vingadores. É um pouco mais violento também, e se torna muito intenso ao longo da execução.
O que eu achei mais interessante sobre Homem de Ferro 3 foi que eles questionaram: "O que seria do Homem de Ferro sem a sua armadura?". E ele seria exatamente como imaginávamos, um homem sem habilidades muito extraordinárias em combate, mas com um cérebro brilhante. Tony Stark é privado de sua casa e de sua armadura na maioria do filme.
Ele tem que se contentar com o que tem e descobrir quem ele é de fato, assim ele é capaz de perceber que não é a armadura que faz dele o Homem de Ferro. Ele sempre foi o Homem de Ferro. Tony também está muito mais emocionalmente vulnerável neste filme. Os eventos do final de Os Vingadores o afetou profundamente, e ele está muito confuso, isso é claro.
É fácil fazer filmes de super-heróis que possuem uma pessoa em uma armadura superpotente e quebrando vilões, com muita Computação Gráfica e ação. Outra coisa é confiar tanto em seu personagem ao ponto de tirar a armadura de seu super-herói: a coisa mais interessante nesse personagem é quem ele é fora de sua armadura. A Marvel tinha fé suficiente em Tony Stark e na equipe criativa para deixá-los provarem isso.
E eles provaram isso muito bem com este filme, Tony Stark é realmente mais interessante do que o Homem de Ferro. O filme explora as deficiências tanto do homem quanto de suas máquinas, e demonstra que ambas são ao mesmo tempo vulneráveis, a armadura é apenas uma casca que pode ser quebrada, enquanto que Tony é o seu núcleo.
Ele é um homem que agora percebe que o mundo está cheio de ameaças maiores e ele jamais imaginou que sua vida estaria em perigo, e ainda pior, que o amor de sua vida, Pepper Potts (Gwyneth Paltrow), correria grandes riscos. Não são muitos os filmes de super-heróis que nos dão esse tempo para analisar os efeitos a longo prazo sobre a psiqué dos heróis, e apenas um filme havia explorado em profundidade a psicologia de um super-herói, que foi The Dark Knight Rises.
Nós vemos Tony Stark sem conseguir dormir, tendo ataques de ansiedade, com obsessão pela construção de armaduras. Tony teme que toda a sua confiança e habilidades não sejam suficientes, ele teme o fracasso, e ainda assim não reconhece a verdadeira ameaça quando ela está vindo em direção a ele.
Sua arrogância foi desafiada e há sempre um preço pago por um erro. Demolido, despojado de tudo o que tinha, à beira da morte e perdido, Tony tem que voltar às suas origens, um mecânico tentando consertar a única armadura do Homem de Ferro em funcionamento através de métodos relativamente primitivos.
Fiquei muito feliz com a atuação de Pepper no filme. Ela salva Tony não uma, mas duas vezes, primeiro no início, enquanto vestindo a armadura do Homem de Ferro, e depois no final. Ela é a única que realmente derrota o vilão e resgata Tony. Pense nisso por um momento: Tony tem que enfrentar seu maior medo, afinal de contas, ele não consegue salvar a vida de Pepper e ela parece morrer. Mas depois ela retorna, inverte a situação e vem em seu socorro.
O ponto fraco do filme é o vilão, mas com ressalvas! Vejamos:
Imagine se, em um filme do Batman, o Coringa não fosse realmente o Coringa: Como os fãs reagiram? O sentimento é mais ou menos esse.
Ben Kingsley interpreta o arqui-inimigo do Iron Man, o Mandarim, que revela-se como um ator contratado pelo cientista louco Aldrich Killian (Guy Pierce, grande ator, diga-se de passagem) para interpretar o Mandarim. Os puristas dos quadrinhos, e a maioria dos fãs de histórias em quadrinhos, não gostaram dessa versão do Mandarim, principalmente porque esse é o maior vilão do Homem de Ferro, mas as pessoas em geral que não estão familiarizadas com ele, e até mesmo os fãs de HQs vão dizer que foi bem executado, que é um bom filme. Mandarim parecia ser um assunto espinhoso para os produtores, desde que foi anunciado que ele seria o vilão principal e que seria interpretado por Kingsley. Shane Black insistiu que não iria ceder a estereótipos do personagem.
Particularmente gosto muito dos filmes de Shane Black. Quem já assistiu Máquina Mortífera, The Long Kiss Goodnight e outros de seus filmes, sabe do que estou falando, então vê-lo assumir um filme de super-herói e se entregar tanto, junto ao seu amigo Robert Downey Jr., foi um regalo para mim e gostei bastante.
(Não esqueça de ficar até o final dos créditos, é bem divertido.)























